"Portaste-te muito mal hoje."

E o que diz um pai a uma crianca, talvez? Nao o que diz um marido a mulher sem requintes sinistros. O tom paternalista da expressao enjoa. "Fiquei triste com o que fizeste.", "Acho que procedeste mal.", "Magoaste-me." ... Nah. Mais vale expressarmo-nos de uma forma que mostra quem manda aqui.

Se arranjasse uma nanny ou assim que me ajudasse, nao precisava dele. Ele irrita-me profundamente. Muito profundamente. Podia ser pateta, podia ser exigente com as outras pessoas. A combinacao de exigente com as outras pessoas e estupido e que nao da.

Porque e que eu nao consigo impor limites? Assim nao da para proceder e pronto? Fico sempre a tentar ver a mesma historia de outra perspetiva, a tentar nao magoar ninguem. Estou farta do boicote aos meus amigos. Farta dos ciumes que ele certamente tem de mim. E uma pessoa sem bom senso, sem empatia, sem delicadeza. Que tenta impor-se com queixinhas de que passamos demasiado tempo em Lisboa, ou cortes de cabelo forcados que nao completa.

Que quer tudo feito por ele, mas nao quer fazer nada. Que se vai embora amuado tres vezes por dia. Que passa os jantares a ler noticias (e comentarios!) no telemovel em vez de conversar connosco (ou, caracas, ajudar a tirar os pratos da mesa?), mas que depois quer tres filhos e mais nao sei o que. Parvalhao.

Fiz o blogue para partilhar pensamentos bons, ideias que eu gostava de rever mais tarde. Em vez disso, estou aqui a verter a minha frustracao caseira. Que desperdicio. De energia, de bits, de emocoes. Mereco melhor.



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